Texto e fotos Eduardo Lena
Representantes da umbanda e candomblé de Barreiras, turistas e populares se reuniram às margens do rio Grande, hoje, 02 de fevereiro, para celebrar Oxum, a orixá das águas doces e Iemanjá, protetora dos pescadores e Rainha do Mar e mãe de todos os demais Orixás.
Vestidos de branco, com detalhes azuis em honra à divindade e entoando cantigas utilizadas nos centros de umbanda e candomblé, centenas de pessoas lotaram o cais de Barreiras para ofertar presentes em agradecimentos as graças alcançadas e renovar pedidos para um ano cheio de realizações.
Bonecas, doces, frutas, pipocas, frascos de shampoos, sabonetes, velas, vidros de perfumes, pentes, espelhos, pedidos, flores e bijuterias douradas, foram alguns dos presentes ofertados pelos fiéis que se aglomeravam nas margens do rio Grande.
A festa de Iemanjá é a única festa religiosa da Bahia que tem origem apenas no candomblé. Para Igreja Católica, o dia 2 de fevereiro é o dia de Nossa Senhora das Candeias, mas no sincretismo religioso Nossa Senhora das Candeias é Oxum, que junto com Iemanjá e Oxalá protege o ano de 2010.
Oxum - Certa vez, numa festa de Oxalá, as sacerdotisas dos vários orixás, com inveja de Oxum, puseram-lhe um feitiço: quando todos se levantaram para saudar Oxalá, ela ficou presa na cadeira e suas roupas ficaram sujas de sangue. Todos riram e Oxalá ficou zangado. A sacerdotisa, envergonhada, tentou se esconder, mas nenhum orixá lhe abriu a porta. Só Oxum a recebeu e transformou as gotas de sangue em penas de papagaio. Sabendo dessa magia, os outros orixás vieram prestar homenagem a Oxum e Oxalá lhe deu a proteção das filhas de santo, que durante a iniciação passaram a usar uma pena vermelha na testa.
Houve um tempo em que os orixás masculinos se reuniam para discutir sobre a vida dos mortais e não deixavam as deusas participarem das decisões. Aborrecida com isso, Oxum fez com que as mulheres ficassem estéreis e então tudo deu errado na terra. Os orixás foram consultar Olorum e ele explicou que sem a presença de Oxum com seu poder sobre a maternidade, nada poderia dar certo. Os orixás, então, convidaram Oxum para participar das reuniões: as mulheres voltaram a ser fecundas e todos os projetos dos orixás tiveram bom resultado. Seus domínios são águas doces que irrigam e fertilizam os campos e o ouro. No sincretismo religioso está associada a Nossa senhora das Candeias e a Nossa Senhora Aparecida. (Fonte: www.pallaseditora.com.br/oxum)
HOMENAGEM À IEMANJÁ
Mãe d’Água, Rainha das Ondas, Sereia do Mar,…
Mãe d’Água, Teu canto é bonito, Quando faz luar,…
Auê, auê, Yemanjá!… Auê, auê, Yemanjá !…
Rainha das Ondas, Sereia do Mar.
Como é lindo o canto de Yemanjá,
Faz até o pescador chorar,
Quem escuta, a Mãe d’Água, cantar… Vai com Ela p’ro fundo do mar.
Rainha das Ondas, Sereia do Mar.
A Rainha está triste – A festa em homenagem a Iemanjá e a Oxum tinha tudo para ter sido o maior sucesso, se os admiradores da Rainha das Águas tivessem um pouco mais de conscientização ambiental e não agredissem ainda mais o nosso já combalido rio Grande. Certamente ela não aprova atitudes como essas, pois já não basta o fétido esgoto de Barreiras que é jogado in natura no rio Grande, agora vem centenas de fiéis jogados vidros de perfumes, frascos plásticos de shampoos, flores artificiais, bacias plásticas com oferendas e toda uma gama de materiais que certamente levarão gerações para se decompor na natureza.
É preciso que os organizadores do evento, visando a comemoração de 2011, comecem logo uma campanha de conscientização junto aos centros de candomblé e umbanda, para transformar Pais e Mães de Santo em multiplicadores da necessidade de preservar as águas do nosso rio Grande, para que as gerações futuras tenham o que comemorar e não o que lamentar.
Fonte: Jornal Nova Froteira